quinta-feira, 22 de março de 2007

ELOGIO A EVA REIS


Para que alguém ajuize com acerto com respeito a determinada experiência -em osso caso a experiência poética- precisa enumerar quantos anos gastou dentro dela, vivendo-lhe as características... é indispensável perseverar com alguém ou com alguma coisa que nos ajude e edifique.


Eva Reis, através de suas trovas, demonstra as experiências e vivências de uma pessoa aberta, desperta e disponível para as verdades simples e essenciais à vida; verdades, portanto, mergulhadas em lirismo e em romantismo.


Não é a vontade de sucesso, mas a vida cotidiana de quem vive cada momento com itensidade e paixão eróticas -evocando o vigor de EROS, energia da vida - que produz algo assim, por exemplo:


"Não sopre a vela, querida

que a chama por si se apaga:

a chama é o sonho da vida,

que nos enleva e afaga".
(a poetisa permite-se a não fazer junção das vogais A e E, a leitura técnica do quarto verso deve ser: que/ nos/ en/ le/ va/ e/ fa/ ga.

(página 66 de "Cantares", 1a. edição, 1997)


"Devido a este amargor

de tanta ilusão perdida,

invejo a sorte da flor

- murchar no esplendor da vida".
(a leitura técnica do primeiro verso deve ser: De/ vi/ do a/ es/ te a / mar / gor).

(página 69 de "Cantares", 1a. edição, 1997)


"Santa Bárbara, piedade!

acalma a chuva e o trovão...

já tenho uma tempestade

dentro do meu coração".

(página 74 de "Cantares", 1a. edição, 1997)


Observem os senhores e as senhoras que as iniciais dos versos da 2a, 3a, e 4a linhas não têm iniciais maiúsculas; ou seja, a poetisa não trabalha com abstrações, idealismos: tudo é fruto de vivência de quem sabe que a vida é construída e realizada e não idealizada.


A construção de uma vida assim é que dá autoridade e competência para fazer esta trova:

"Chorar é meu desafio,

tuas mágoas não me conte;

quem sabe o que chora o rio,

quando passa pela ponte?"
(Página 84 de "Cantares", 1a. edição, 1997)


Eva Reis está mais uma vez imortalizada e exposta em "Cantares, Trovas de Outono", assim como o esteve em "Fiandeira".




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