sábado, 28 de abril de 2007

TROVA 287



QUE CHAPÉU EXTRAVAGANTE

DESSA MADAME TRAVESSA!

VIROU MODA DE ELEGANTE

- PÔR CHAPÉU SEM TER CABEÇA.


Do Livro Cantares Trovas de Outono, 1a. edição, 1997, p.126)

sábado, 24 de março de 2007

RACHEL DE QUEIROZ E EVA REIS


Da Academia Brasileira de Letras, Rachel de Queiroz encontra-se com Eva Reis em 18 de dezembro de 1994 e, após ter lido os originais de Cantares publicados posteriormente em 1997, escreve nota de deferência que se tornará em 1998 o prefácio da segunda edição da obra poética.


Nos dois últimos parágrafos, escreve Rachel:

"Mineira, família de artistas, Eva Reis nasceu poeta; e nas pequenas jóias que são as suas trovas, sabe pôr todo um mundo de sentimentos e conceitos.

Versos que são para amar, ler, decorar, recitar... Desejando que esta coletânea de "Trovas de Outono" sejam reconhecidas como antológicas, tais como as que as precederam,

Rachel de Queiroz

Rio, 18-12-1994"

sexta-feira, 23 de março de 2007

CHORAR É MEU DESAFIO...


CHORAR É MEU DESAFIO,
TUAS MÁGOAS NÃO ME CONTE;
QUEM SABE O QUE CHORA O RIO,
QUANDO PASSA PELA PONTE?

(Do livro Cantares, 1a. edição, 1997, página 84)
(a trova acima está reproduzida exatamente como foi impressa; há erro, sem dúvida, no segundo e quarto versos, considerando o pronome pessoal na 2a. pessoa do singular [tuas]. O 2o. verso deveria ser "Tuas mágoas não me contes "; nesse caso, o 4o. verso mudaria para "Quando passas pelas pontes" ou qualquer outro verso que a poetisa considere adequado.)

MEIO AS BRUMAS DO ABANDONO...


MEIO AS BRUMAS DO ABANDONO,

QUÃO INTENSA ANSIEDADE

-CAINDO FOLHAS DE OUTONO -

NOS REENCONTROS DA SAUDADE.

(Do livro Cantares, 2a. edição, 1998)
(Considerando o direito do poeta de fazer ou não fazer as junções que julgar adequadas, sugiro a seguinte a leitura técnica:
mei/o as/ bru/mas/ do a/ban/do/no
quão/in/ten/sa an/si/ e / da /de
ca/in/do/ fo/ lhas/ de ou/ to/ no
nos/ re en/ con/ tros / da/ sau/ da / de.

quinta-feira, 22 de março de 2007

ELOGIO A EVA REIS


Para que alguém ajuize com acerto com respeito a determinada experiência -em osso caso a experiência poética- precisa enumerar quantos anos gastou dentro dela, vivendo-lhe as características... é indispensável perseverar com alguém ou com alguma coisa que nos ajude e edifique.


Eva Reis, através de suas trovas, demonstra as experiências e vivências de uma pessoa aberta, desperta e disponível para as verdades simples e essenciais à vida; verdades, portanto, mergulhadas em lirismo e em romantismo.


Não é a vontade de sucesso, mas a vida cotidiana de quem vive cada momento com itensidade e paixão eróticas -evocando o vigor de EROS, energia da vida - que produz algo assim, por exemplo:


"Não sopre a vela, querida

que a chama por si se apaga:

a chama é o sonho da vida,

que nos enleva e afaga".
(a poetisa permite-se a não fazer junção das vogais A e E, a leitura técnica do quarto verso deve ser: que/ nos/ en/ le/ va/ e/ fa/ ga.

(página 66 de "Cantares", 1a. edição, 1997)


"Devido a este amargor

de tanta ilusão perdida,

invejo a sorte da flor

- murchar no esplendor da vida".
(a leitura técnica do primeiro verso deve ser: De/ vi/ do a/ es/ te a / mar / gor).

(página 69 de "Cantares", 1a. edição, 1997)


"Santa Bárbara, piedade!

acalma a chuva e o trovão...

já tenho uma tempestade

dentro do meu coração".

(página 74 de "Cantares", 1a. edição, 1997)


Observem os senhores e as senhoras que as iniciais dos versos da 2a, 3a, e 4a linhas não têm iniciais maiúsculas; ou seja, a poetisa não trabalha com abstrações, idealismos: tudo é fruto de vivência de quem sabe que a vida é construída e realizada e não idealizada.


A construção de uma vida assim é que dá autoridade e competência para fazer esta trova:

"Chorar é meu desafio,

tuas mágoas não me conte;

quem sabe o que chora o rio,

quando passa pela ponte?"
(Página 84 de "Cantares", 1a. edição, 1997)


Eva Reis está mais uma vez imortalizada e exposta em "Cantares, Trovas de Outono", assim como o esteve em "Fiandeira".




SOU A FLOR DE RITMO LEVE...


Sou a flor de ritmo leve
com luares de abandono,
-flor presente, em tempo breve,
exalando o seu outono.





(Do Livro Cantares, Eva Reis)

CHEGO AO OUTONO DA VIDA...


Chego ao outono da vida

vendo a folha da ilusão

bailando verde, garrida,

sem querer cair no chão.


(Do Livro Cantares, Eva Reis)