
Para que alguém ajuize com acerto com respeito a determinada experiência -em osso caso a experiência poética- precisa enumerar quantos anos gastou dentro dela, vivendo-lhe as características... é indispensável perseverar com alguém ou com alguma coisa que nos ajude e edifique.
Eva Reis, através de suas trovas, demonstra as experiências e vivências de uma pessoa aberta, desperta e disponível para as verdades simples e essenciais à vida; verdades, portanto, mergulhadas em lirismo e em romantismo.
Não é a vontade de sucesso, mas a vida cotidiana de quem vive cada momento com itensidade e paixão eróticas -evocando o vigor de EROS, energia da vida - que produz algo assim, por exemplo:
"Não sopre a vela, querida
que a chama por si se apaga:
a chama é o sonho da vida,
que nos enleva e afaga".
(a poetisa permite-se a não fazer junção das vogais A e E, a leitura técnica do quarto verso deve ser: que/ nos/ en/ le/ va/ e/ fa/ ga.
(página 66 de "Cantares", 1a. edição, 1997)
"Devido a este amargor
de tanta ilusão perdida,
invejo a sorte da flor
- murchar no esplendor da vida".
(a leitura técnica do primeiro verso deve ser: De/ vi/ do a/ es/ te a / mar / gor).
(página 69 de "Cantares", 1a. edição, 1997)
"Santa Bárbara, piedade!
acalma a chuva e o trovão...
já tenho uma tempestade
dentro do meu coração".
(página 74 de "Cantares", 1a. edição, 1997)
Observem os senhores e as senhoras que as iniciais dos versos da 2a, 3a, e 4a linhas não têm iniciais maiúsculas; ou seja, a poetisa não trabalha com abstrações, idealismos: tudo é fruto de vivência de quem sabe que a vida é construída e realizada e não idealizada.
A construção de uma vida assim é que dá autoridade e competência para fazer esta trova:
"Chorar é meu desafio,
tuas mágoas não me conte;
quem sabe o que chora o rio,
quando passa pela ponte?"
(Página 84 de "Cantares", 1a. edição, 1997)
Eva Reis está mais uma vez imortalizada e exposta em "Cantares, Trovas de Outono", assim como o esteve em "Fiandeira".